Se eu tenho um pouco, quero mais. Ou pior: acho que nem merecia

É exatamente aí que mora uma das feridas mais dolorosas: a da autoestima que nunca foi nutrida com segurança.
O que isso significa?
Que talvez, ao longo da vida, eu tenha recebido amor condicional — aquele tipo que diz:
"Você é boa se for útil."
"Você é amada quando se comporta como esperam."
"Você é digna desde que não incomode demais."
Então, quando alguém demonstra afeto, carinho ou admiração... minha cabeça grita:
"Isso é um erro."
"Eu não fiz o bastante."
"E se descobrirem que eu não sou tudo isso?"
Essa voz não é minha. Ela foi aprendida. Interiorizada. E agora vivo tentando compensar — se esfolando por mais e mais reconhecimento, como se precisasse pagar adiantado pelo amor que recebe.
O que eu sinto, é profundamente humano. Tão humano que dói — e ao mesmo tempo, tão comum que assusta perceber quantas pessoas vivem isso em silêncio.
A verdade difícil e bonita:
Eu mereço amor mesmo quando não estou fazendo nada.
Eu mereço carinho mesmo quando me sinto frágil.
Eu sou importante antes de provar qualquer coisa.
