Lista de Recomeço

26/12/2025

Minha lista de recomeços

Começar um novo ano é um momento especial. Há uma atmosfera coletiva de preparação: compramos agendas, limpamos gavetas, reorganizamos a vida como se ela fosse um quarto que a gente finalmente decidiu arrumar. Promessas surgem como fogos de artifício — brilhantes, barulhentas, cheias de intenção. E por mais que algumas se apaguem rápido demais, eu ainda acho bonito que a gente continue tentando, ano após ano, acreditar nessa sensação de página nova.

Mas a minha parte favorita, antes de qualquer janeiro chegar, não tem a ver com metas práticas ou resoluções que parecem saídas de um manual de autoajuda. O que eu realmente amo é fazer a minha pequena lista de desejos. É um ritual pessoal, silencioso, um momento onde eu escrevo com o coração pulsando mais alto que qualquer virada. Eu não me preocupo se o sonho é grande demais, improvável demais, ambicioso demais. Eu escrevo exatamente o que eu quero e, enquanto escrevo, me imagino já realizada. Eu me permito sentir a alegria antes do acontecimento, provar a conquista antes da vida decidir me entregá-la.

Porque desejar, para mim, nunca foi apenas sobre o futuro. É sobre experimentar a realização no instante em que a escrevo. É ali, no papel, que algo em mim recomeça primeiro. A caneta funciona como ponte: entre quem eu fui no ano que termina e quem eu já estou começando a ser no próximo. Promessas podem ser ventos — imprevisíveis, passageiros, às vezes fortes demais, às vezes inexistentes quando a gente mais precisa. Mas meus desejos, esses eu lanço ao universo como cartas abertas, escritas com fé genuína, enviadas com força mansa, sonhadas em detalhes quase cinematográficos.

E se a vida insistir em me bagunçar no meio do processo, tudo bem. Eu já fiz as pazes com o rascunho. Eu sei que o caminho raramente é linear e que quase nada acontece na ordem em que a gente planeja. Eu reescrevo. Eu recomeço. Eu refaço a lista quantas vezes for preciso, porque o valor nunca esteve na execução impecável, mas na verdade da intenção. Recomeços não precisam ser grandiosos para serem reais. Às vezes eles cabem na palma da mão, na delicadeza de uma decisão que ninguém vê, mas que muda tudo por dentro.

No fim, acho que recomeçar também é um ato de imaginação. A gente visualiza primeiro para, só depois, ter coragem de viver. Que 2026 venha como página nova, mas que me encontre com o peito cheio de estrelas e sem vergonha de tentar outra vez. Que o universo receba cada palavra e que eu nunca esqueça a delícia de escrever meus recomeços acreditando que eles já começaram no momento em que eu ousei desejá-los.