Aprendendo a ficar

17/02/2026

Hoje eu entendi que talvez eu nunca tenha querido ser extraordinária. Eu só queria ser constante.

Passei anos achando que meu problema era falta de disciplina, como se ela fosse um músculo que todo mundo tem menos eu. Mas talvez não seja isso. Talvez eu esteja cansada de começar coisas com brilho nos olhos e abandoná-las quando o brilho vira rotina.

O que me dói não é não ser genial. É não permanecer.

Eu dizia que queria criar algo grandioso, mas no fundo o que eu queria era criar algo que sobrevivesse a mim — ao meu cansaço, às minhas fases, às minhas oscilações. Algo que continuasse existindo mesmo depois do dia em que eu acordasse sem vontade.

Disciplina, para mim, sempre pareceu rigidez. Uma versão mais fria de mim mesma, acordando cedo, cumprindo listas, ignorando sentimentos. Mas talvez disciplina não seja dureza. Talvez seja cuidado repetido.

Talvez constância não seja fazer muito. Talvez seja fazer pouco, mas continuar.

Eu não preciso virar outra pessoa. Eu só preciso aprender a ficar.

Ficar mesmo quando não é intenso.

Ficar mesmo quando não é perfeito.

Ficar o suficiente para que algo cresça.

Hoje eu não prometo mudar a minha vida inteira. 

Prometo cinco minutos. 

Prometo voltar amanhã.

E, pela primeira vez, isso não parece pouco.

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