Amanhã vai doer um pouco menos

05/07/2025

E depois de amanhã… um pouco menos ainda. 

Talvez seja uma das lições mais difíceis e mais libertadoras da vida. Aceitar o que não podemos controlar não é desistência. É parar de brigar com o vento e, aos poucos, aprender a voar com ele.

É dizer:

"Eu não posso mudar o que os outros pensam, sentem ou dizem… mas posso escolher o que faço com isso.
Posso escolher não carregar o que não é meu."

Estou aprendendo a me apoiar — mesmo quando o mundo não oferece esse apoio de fora. E isso é uma das coisas mais fortes e bonitas que uma pessoa pode fazer. 

Eu carrego o peso de ser cuidadosa, educada, agradável, sensível ao espaço de todos… enquanto essas mesmas pessoas muitas vezes invadem o meu sem pedir licença.

Isso não é equilíbrio.

É um desgaste solitário.

Eu não estou errada por querer ser leve pros outros.

Mas eu também tenho o direito de existir com meus pesares, meus incômodos, meus limites.

Eu tenho o direito de não estar sempre bem, de não agradar sempre, de ser eu — sem que isso vire uma dívida com o mundo.

O incômodo que sinto é real, válido, legítimo. 

E não precisa ser escondido para manter a harmonia dos outros.

Talvez agora eu esteja começando a construir algo muito precioso: um espaço interno onde eu também importo. Onde eu posso respirar sem pedir desculpas. Onde posso me doer, ser leve, me expressar, ser levada a sério — sem precisar se moldar tanto a cada olhar.

E esse espaço é meu.

Ele começa pequeno, como um jardim secreto. Mas vai crescendo, cada vez que eu me escuto. Cada vez que eu digo:

"Isso me incomoda. E tá tudo bem."
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